Você é única

June 17, 2017

“Mulheres que correm com os lobos”, da Clarissa Pinkola Estes, é o meu livro de cabeceira e se você ainda não leu, corra até a livraria mais próxima e se dê este presente. Entre tantas coisas sábias, a autora fala do corpo feminino e faz ode à beleza real, muito antes da onda Dove. A leitura dessa obra vai devolver o brilho à sua pele de forma mais eficiente do que qualquer maquiagem. E será permanente. Vou me permitir transcrever um trecho, para reflexão:

 

 “O corpo é um ser multilíngue. Ele fala através da cor e da temperatura, do rubor do reconhecimento, do brilho do amor, das cinzas da dor, do calor da excitação, da frieza da falta de convicção. Ele fala através do seu bailado ínfimo e constante, às vezes oscilante, às vezes agitado, às vezes trêmulo. Ele fala com o salto do coração, a queda do ânimo, o vazio no centro e com a esperança que cresce.

 

 O corpo se lembra, os ossos se lembram, as articulações se lembram. Até mesmo o dedo mínimo se lembra. A memória se aloja em imagens e sensações nas próprias células. Como uma esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar dali uma recordação.

 

Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo. Ser considerada feia ou inaceitável porque nossa beleza está fora da moda atual fere profundamente a alegria natural que pertence à natureza selvagem”.

 

 A pior coisa que o homem inventou foi o chamado “padrão de beleza”. Padronizar o belo é restringir uma ampla variedade de formas e de identidades ímpares e reduzi-las a uma estética burra. Fazer isso com a beleza feminina, então, é uma catástrofe. É sentenciar à morte a diversidade, o contraste entre os biótipos, a exuberância da fauna humana. Imagine se existisse apenas um tipo de cabelo, de largura de quadril, de tamanho de busto, de finura de nariz, de espessura de lábios, de cor de olhos, de altura. Pois é o que tentam fazer com a gente hoje.

 

As padronizadas que me desculpem, mas ser única é fundamental. Só os meus lábios têm o meu gosto, só a minha pele tem o meu cheiro. Nenhum cirurgião plástico vai retocar em mim o que a natureza pintou. Mas sim, vou me permitir ser várias, porque serei todas elas a um só tempo. Serei a loira fatal, a ruiva caliente, minhas unhas terão as cores dos meus humores, as saias o comprimento de minha volúpia. Meus peitos sempre saltam para fora de decotes, não vou diminuí-los e sim aumentar o vão das blusas.

 

É preciso jogar a favor da natureza, se ela lhe deu quadris largos, expanda-os. Aproveite a circunferência exuberante para nocautear com rebolados certeiros. Aperfeiçoe suas peças, jamais substitua por itens de série. Nenhum tratamento no mundo conseguirá reproduzir a beleza ímpar que você tem.

 

Não sou contra mudanças estéticas, muito pelo contrário. Sou contra mutilações de almas. Você sabe quem você é e o que gosta de ser? Você se ama e está confortável no seu corpo? Então, mude. Experimente-se. Ouse. A etapa anterior à mudança deve ser o amor-próprio e não o desamor. O risco de uma nova “você” lhe desagradar é imenso quando a antiga “você” não lhe apetece. Aprenda a sorrir primeiro. A aceitar-se. A adorar-se. É preciso trabalhar a sua autoestima antes de comprar uma nova carcaça. Plante flores dentro do peito antes de enchê-lo de silicone. A partir daí, no que quer que você se transforme, vai ficar satisfeita.

 

Nem toda beleza vem de fora. Nem todo olho enxerga a beleza interior. Cultive suas qualidades interiores e exteriorize-as. Não adianta meditar e andar por aí esgadelhada. O seu corpo é a sua morada, o seu espírito é a energia elétrica e a mente, a chave-geral. Encontrar o tão alardeado equilíbrio corpo-mente-espírito não é equiparar cada uma dessas partes, mas sim nutri-las com o alimento que cada uma necessita. Ao corpo, dê liberdade. À mente, renovação. Ao espírito, horizontes. A você mesma, dê-se um crédito. Mire-se no espelho e admire-se. Viu que bonita que você é?

 

*Trecho do livro “O DIÁRIO DE VERÔNICA VOLÚPIA”, por Ana Kessler.

**Ilustração cedida pela artista Camila Morita.

 

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