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Banho de Imersão


Vou abrir parênteses para um sussurro: a vida pode ser muito melhor do que aquela que a gente se permite levar. Está presa a um amor que leva você a não gostar de si mesma? Abandone-o. Nada que nos faz mal pode ser um bem-querer. Está em dúvida porque ele tem muitas qualidades? Não esqueça que você também tem.

Na hora de colocar um relacionamento na balança, supervalorize o seu lado. Coloque mais virtudes na sua bandeja, claro. Porque a tendência é esquecermos o quão maravilhosas somos e nos diminuirmos espontaneamente. Trapaceie em seu próprio favor. Supervalorize-se. Acredite quando lhe dizem que você é especial. E comece a se enxergar com os olhos dos outros, não apenas com os seus. Eles provavelmente estão turvos de lágrimas e já não conseguem focar direito.

Sabe, você não precisa de curso para mergulhar dentro de si mesma. Vá ao fundo, remexa no lodo, cavoque-se, investigue-se. Sim, vai encontrar botas velhas e outros sentimentos pouco aproveitáveis. Mas quem sabe não encontra também uma joia rara, uma pérola, uma alegria enterrada há tempo, que você trancafiou dentro de uma concha para nunca mais lembrar o quanto ela poderia enfeitar a sua vida.

Você é do tipo que guarda preciosidades em cofres no fundo do armário? Em que encarnação você espera usá-las? Abra seus compartimentos internos, liberte o riso, os sonhos, as vontades. É tão simples quanto um fechar de olhos e tão transformador quanto as marés de um oceano.

É claro que as mudanças não ocorrem do dia pra noite. Mergulhar exige concentração e muito treino, não pense que é assim, chegar e encontrar tesouros. Há sempre tubarões-tabus à espreita, moreias-medos que saem das suas tocas com as suas caras assustadoras quando a gente menos espera e enguias-preconceitos que nos travam com suas descargas elétricas paralisantes. E podem virar monstros ou podem ser o que são: partes de um ecossistema. Partes integradas de um universo de causas e efeitos e vivências e internalizações frente às quais podemos agir como meras espectadoras ou interferir.

Mas cuidado: não vá tão fundo que você não tenha como voltar. Avalie sua capacidade pulmonar, auricular, sentimental. Peça ajuda, se necessário. Mergulhar de mãos dadas é o maior barato. Como é bom a gente submergir com plenitude, sem medo de se afogar, por saber que no retorno à superfície, vai ressurgir revigorada. Vai emergir uma nova você.

*Trecho do livro “O DIÁRIO DE VERÔNICA VOLÚPIA”, por Ana Kessler.

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